domingo, 25 de novembro de 2012

esqueci como se escreve
esqueci como organizo idéias e sentimentos no papel
na tela
esqueci de sentir
esqueci de amar
sou eu vazia
sou eu sozinha
tão poucos anos e alma tão cansada de tudo
tão poucos amores e tantas lágrimas derramadas
esqueci de sonhar
esqueci de cantar
cansei de liberdade
e cansei de não querer abrir mão dela
reclamei, pedi, veio, eu não quis
tenho medo de continuar a mesma pessoa até o fim dos dias
tenho medo de tropeçar em tanta contradição
mas nada supera o medo da insanidade
a atração e o temor
a face mais calma da loucura
no obscuro da fuga camuflada pela superfície
a película transparente que envolve e finge que acolhe
mas que explode ao leve toque da navalha
escorrem tristezas, impurezas, vergonhas e incertezas
esqueci de comprar a película reserva
espalhei-me por terra
tenho medo de nunca chegar ao mar
esqueci de voar

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

é com cólera e sangue latejando que escrevo
escrevo para não jogar o vaso de cristal na parede
para não enfiar um garfo na face de alguém
para não derramar óleo quente nos olhos alheios
para não queimar minha própria mão com o isqueiro
é com raiva e fogo que praguejo
enquanto os dedos apertam com força de leão as teclas
teclas que um dia foram papel e caneta
papel e caneta deixados de lado
nesse mundo moderno, esse inferno
cheio de diabos e magnetismos
estrelismos, cabos, telas, bits
gigabites, controles, remoto
passado remoto
fora de controle
cuspo a ira nessas palavras
a visão um tanto embaçada
e neblina tomando conta do ar
porque perdi o horário
da droga que me fizeram gostar
minha paz no lixo por causa de um programa de televisão

segunda-feira, 16 de julho de 2012

esqueci (esqueçam) tudo sobre o texto anterior.
se é para amar, que seja correspondido.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fodam-se as convenções sobre relacionamentos.
Passou da hora de mandar para o inferno toda essa bobagem que nos obrigam a acreditar.
"Não demonstre tanto interesse."
"Diga não, mesmo que queira dizer sim."
"Dê valor apenas a quem te ama."

Mas o amor não é isso? Amar por amar? Sem esperar reciprocidade?
Amor é unilateral, não precisa de resposta para existir. Não precisa ser correspondido, muito menos lhe fazer feliz. O amor não se importa se você vai morrer de dor ou desprezo, ele simplesmente está em você. Basta apenas um corpo para se alojar.
E quem disse que não pode se expor? Assumir e correr atrás não é ser fraco, justamente o contrário, é ser forte. Quem sente e não demonstra é covarde, tem medo do ridículo, tem medo da negação. Quem não tem medo de sofrer não tem medo de tentar ser feliz. Sem dor não há glória.
Já somos obrigados a fingir tanta coisa nessa vida, pra que fingir não amar?
Não preciso que você me ame para te querer bem. Não preciso receber nada em troca para te amar.
Experimente dar o primeiro passo, dar o braço a torcer, esquecer o orgulho e lutar. Ficará aliviado, com a sensação de que fez tudo que lhe era possível. E se algo não der certo nunca terá a culpa de não ter tentado. Esgote todas as possibilidades. Infeliz é aquele que vive pela metade, deseja pequeno e faz muito pouco.

"Demonstre interesse."
"Diga sim se quiser dizer sim."
"Dê valor a quem você ama."

sábado, 2 de junho de 2012

quando estive perto até pensei em afastar
difícil demais conviver
mas cansei de esperar
cansei do sonho
deitar no chão para você passar
agora eu seguro o desejo
prendo a vontade de te encontrar
fecho o coração quase sempre aberto
choro para dentro
e espero você sarar de mim

domingo, 20 de maio de 2012

Luíza - por muitas vezes - pensa em por que continua com Rodrigo
Ela recebe declarações de Carlinhos, João, Pedro e Francisco
Mas não quer nenhum deles
Rodrigo esfaqueia e congela o coração de Luíza quase todos os dias
E ainda assim continuam juntos, mas separados
Hoje ela recebeu uma carta de amor escrita por Pedro
Leu, releu, chorou, mas não soube o que responder
Não respondeu
E ficou pensando se o mais esperto seria dar uma chance a alguém
Alguém que fizesse realmente questão de jantar ao seu lado
Que lhe abraçasse em noites frias
Que estivesse presente quando precisasse
E não apenas quando fosse oportuno
Ter o direito de despejar suas expectativas
Sem medo de ser enforcada ou perder seu posto
Luíza
Seu reino sempre por um fio
Sua vida sempre pela metade

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ocupo minhas horas vagas lendo versinhos e vendo fotos bonitas de pessoas que eu nem conheço. Ocupo minhas horas que na verdade não são vagas, pois eu deveria estar cumprindo prazos e me dedicando aos estudos. Perco a motivação para as obrigações e ganho madrugadas inúteis na frente de um computador. Preciso ser alguém, preciso muito rápido. Sair de casa, trabalhar, pagar contas, gasolina, casar, ter filhos, viajar, amar, morrer. E nada que eu faça será suficiente. Nunca será o bastante para satisfazer as expectativas alheias, as imposições da sociedade, a fome das crianças que sofrem na seca do Nordeste, a sede dos que pedem por justiça. Nunca será o bastante para saciar minhas vontades. A cada dia que passa o pessimismo aproxima-se fazendo evaporar a determinação. Quem roubou meu otimismo? Quem tirou minhas esperanças? Em que baú guardaram a minha juventude?

quarta-feira, 9 de maio de 2012






Seu sentimento é um pedaço de pano molhado onde eu tento enxugar minhas lágrimas. Em vão. Suas palavras são promessas vagas e antes mesmo de descumprir, elas nunca existiram. Meu coração é girassol aberto feito flor para receber luz e calor. Meu coração murcha se depender de sua luz e seu calor. Girassóis são minhas flores preferidas, e você nem sabe disso. Sua vontade é fraca, sua carne também. Seus desejos incertos, tão frios e volúveis. Não sabe se fica ou se vai embora. Não me deixa ir embora. Sua falta de amor é evidente e eu nunca quis viver sem amor. Eu não preciso me contentar com migalhas e metades. Eu não consigo. Toda vez que me vejo, só me vejo sem você. Nunca consegui lhe enxergar no meu futuro, você nunca me deu essa chance de ao menos imaginar. Continuo dançando nossa música, mas um tanto desconfiada e contraída. Intercalando entre momentos de desespero afetivo e aparente distanciamento. Mantenho-me por vezes distraída para não me perder em pensamentos. Nosso caso é perecível, e eu mesma já datei o prazo de validade. Passar o tempo assim de peito sempre apertado e embrulhos no estômago não é passatempo. Você não pode mais ser meu romance. Eu não quero mais sofrer nenhum milésimo de segundo a mais do que o necessário. Do que se pode evitar. E no fim de tudo eu sei que sempre saio ganhando. Finjo que sofro, mas não me importo. Ou o contrário, tanto faz. Tudo fica mais bonito com uma dose certa de drama. Então não acredite no que escrevo. Nada disso é para você.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Quando tudo está bem fodido e errado eu gosto de repetir:
"Não se mate, Carlos, sossegue"
Ah, Drummond
Por que me tomas palavras que nunca escrevi?
Escreve sentimentos tão meus
Tão seus, tão de todos
Ah, Drummond
Que bom poder ler tuas letras
Justo elas que tanto lêem minh'alma
odeio chocolate meio amargo
doce tem que ser doce
e amor tem que ser amor.

terça-feira, 1 de maio de 2012

chorei sete dias seguidos
depois sofri por mais sete
hoje sigo meus dias sorrindo
porque uma quinzena de dor
é demais até para mim
principalmente no quesito paixão
que me é tão frágil e passageira
hoje sigo meus dias de não estou nem aí

sexta-feira, 27 de abril de 2012

um pouco de afago
uma dose tripla de carinho
- mais uma rodada, por favor!
embriagando-se com tudo que aquece a alma
está faltando tanta paixão
intensidade
um maçarico para quebrar o gelo
o novo mal do mundo é a carência
planilhas, estudos, lucros, jornal, televisão
(amor?)
esse buraco só vai parar de doer quando for preenchido
encho-lhe de confetes, doçura e prontidão
e você me esvazia
de tanto não querer mergulhar
insistindo em ficar no raso
enquanto me afogo sozinha
entenda
as pessoas só precisam sentir de verdade

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Já que amar não é possível para nós dois,
podemos continuar com os encontros casuais?
É que durante a noite a cama esfria
E me faz falta o não-amor que a gente fazia
Deixe-me sem os telefonemas,
sem cuidados e sem teu coração
Mas não me deixe sem teu corpo e teus suspiros
Sem meus gemidos
Não fique assim muito tempo longe de mim
Mesmo que eu não o tenha por inteiro
Tenho alguns pedaços preciosos
Algumas horas eternizadas
Num abraço após o gozo da alma

domingo, 22 de abril de 2012

cadê você que eu não conheço?
há muito espero vir me buscar
tirar-me dos que me cercam
e daquilo que me tornei
por favor não te demoras
ando um tanto cansada
sei que a vida é longa
pode o relógio estar errado
e o lugar não ser aqui
mas aguardo com a fé no incerto
como quem reza aos céus por boas novas

quinta-feira, 19 de abril de 2012

eu não sofro por você
eu sofro por não ter nada mais além de mim
sofro por ser assim tão transparente e passional
de tanto fazer por onde e não ter
por tanta carência
e carinho que ao mundo dedico
que não vejo retornar
e faço mesmo assim, pois não espero retorno
apesar de desejar
meu pesar não é por agora
é por sempre sofrer
são pelas lágrimas do planeta que guardo em mim
pelas facadas doídas que cicatrizam
mas que não param de sangrar
qual ser humano segue uma vida toda de restos e faíscas?
ainda mais aquele que se preenche por inteiro
esvazia-se por inteiro
tenho a leve impressão de que qualquer dia desses o coração vai paralisar
ou a sanidade desgarrar e vagar por aí
nesse dia talvez eu finalmente consiga um pouco paz

terça-feira, 17 de abril de 2012

há muito tento entender 
o porquê de escrever tanto sofrer
deve ser porque quando estou feliz só pense em viver
alegria é bonito de se ver
no sorriso estampado nas faces alheias
no brilho dos olhos de quem sente
mas então, poxa vida!
até hoje não sei realmente
o motivo de tanto escrever como se choro fosse

sexta-feira, 13 de abril de 2012

pois então,
o mingau desandou
a água esfriou
é assim que se diz?
eu só sei que deu tudo errado
pelo menos não carrego esse fardo da culpa
de não ter lutado
covardia é feio demais
e não te deixa ser feliz
por algo que nem se sabe
se acostumei rápido demais
vai doer um tanto, mas logo passa
ou nem tão logo, mas passa
e vai passar por mim
vou sorrir
de ver assim
tão sem mim

terça-feira, 10 de abril de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ciúmes

que difícil essa história de manter o controle
eu achava que não me deixaria levar
por pensamentos escuros e egoístas
mas como não sabia?
justo eu que sou toda egoísmo
porém - sinceramente - não achei que haveria possessão
e tentei afogá-la em garrafas
numa tentativa frustrada
ganhei noite de lamentos e dia de ressaca
não te esqueci
nem deixei ficar longe, mesmo longe de mim
quando você voltar
vou fingir muita calma, prolongar um abraço
sem nenhum desespero
consigo manter a alma enlouquecida muda e presa no corpo com certa destreza
só eu sei o esforço que faço para continuar

segunda-feira, 2 de abril de 2012

todo mundo às vezes sai atropelando o que vem pela frente
metendo os pés pelas mãos e precipitando um bocado de coisa
adiantando palavras, ações e situações 
que certamente poderiam esperar um pouco mais
cuidado com o tamanho da sede
talvez o pote seja pequeno
mas também não é nada muito grave
é que a vida nos deixou assim
carentes e bastante cansados

segunda-feira, 19 de março de 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Enlouquecendo 2/3 a mais do que o normal a cada dia.

E no fim da história: tarja preta.

domingo, 11 de março de 2012

sempre cometemos os mesmos deslizes
de acreditar nas mesmas besteiras
iludindo o coração cansado de deslizar
confiamos nas mesmas espécies de rostos ensaiados 
com gestos conhecidos de outros sofrimentos vividos
e continuamos errando e parece que gostando um tanto
enchendo o peito e proclamando com orgulho:
eu sim sou um sofredor,
pois já experimentei centenas de casos de dor!
tamanho foi o falso amor, hoje chora falsa amizade
amanhã falso irmão, falso prazer
mais uma vez acreditando no que deseja enxergar
então resta apenas degustar o sabor amargo da pouca importância
e partir para outra história onde seremos jogados de lado outra vez

sexta-feira, 9 de março de 2012

Não deveria existir egoísmo no amor
São essas formas tortas e bizarras de amar que destroem
Não se dá importância a nada de quem não se ama
Mas quem se ama diz que te ama
Corrói
Não se deixa de amar, porque é incondicional (dizem ser)
E continua morrendo, aos poucos
A cada descaso e frio olhar
Somos apenas atingidos por quem amamos

quinta-feira, 8 de março de 2012




desculpa a falta de decoro,
mas é que as palavras não são densas o suficiente para exprimir


letras não choram.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

uno

na minha cabeça, um filme que não existiu
lençóis macios, abraço e televisão
no meu filme, uma vida que não existiu
um corpo seguro
sofrimento e rotina numa conta conjunta
(eu amo rotina)
e a delícia do tédio compartilhado
tudo vira poesia quando se tem os olhos embaçados
triste demais para escrever

domingo, 12 de fevereiro de 2012

por mais que eu tente ser legal, ser legal não dá certo
por mais que eu fuja dos gritos histéricos da polêmica, ela sempre me encontra
e quanto mais eu tento manter a boca fechada, mais entra mosca
mosca, sapo, rato, barata
gente louca me fascina e por isso mesmo eu evito
mas eles continuam correndo atrás de mim
até eu cair da ponte e me afogar na escaramuça
que muito tentei não entrar
porém a saída é cara demais
resuminho dos fatos: não dá pra viver sem bater com a cara no muro
ou em alguém

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dalila, prostituta
trocou noites na varanda 
por um carro importado
um apartamento em Miami
champanhe todos os dias
 academia
 Rodolfo até hoje chora em seu hospício

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Escrevo palavras extremamente verdadeiras e profundas, para mim. Penso ser a coisa mais bonita que criei. Mas sempre gostam daquelas que menos dou importância e que por muitas vezes não me agrada. Queria que também gostassem dos meus defeitos mais odiados...

querido estranho

Sei que me fita de longe
Já não suporto seus olhares contínuos e prolongados
Viro o rosto para o lado e só vejo suas pupilas dilatadas
Hoje, acendi um cigarro e você me seguiu até o último trago
Só lhe peço um favor
Seja discreto e não me deixe acanhada
Até amanhã, obrigada!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

gerúndio

Enquanto nada dá certo, aguardo o futuro brilhante que profetizaram
E de tantas desilusões, espero amor
Dos fracassos, a promessa de vitória
A sensação de que o momento não chega, afasta-se
Força demais repele
Atitudes pesadas, não pensadas, assustam
Não sei como acabar essa escrita por aqui
Não sei como terminar o que não teve ponto final
Deixa assim, sem fim
A vida nos obriga a traçar um recomeço
Adeus, todas as coisas
(fracas, falsas, imaturas e sujas)
Um beijo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

04:30h
levantou da cama
desatou a fita e abriu a caixa vermelha
em busca do brinco de pérola ou do último cigarro
v-a-z-i-o

lágrimas de noites sem amor

A saudade do clichê que persegue a humanidade
É deserto que reina sem luz
O silêncio de sentidos e ventos incontroláveis
Um vazio no espaço, um pedaço de mundo sem cor
Não tem assunto na roda de amigos
Não tem pedidos para Iemanjá
Não tem programação para o feriado ou dia de chuva
Carvão esperando pegar fogo
Fogo esperando ser apagado
A dolorosa espera pelo incerto – invisível

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

jurou que jamais amaria príncipes ou bobos da corte
passou a amar donzelas
e jurou novamente não amá-las
não conseguia amar pedras, sapos e garrafas
voltou a amar cavaleiros e princesas
vários príncipes, donzelas e bobos da corte
plebeus, escravos e reis
desistiu de amar todos e não amar ninguém
apaixonou-se pelo espelho
ela o queria, sim
e num instante que lhe faltou sobriedade confessou
mas não queria passos ensaiados
não queria futuro nisso, claro
nem desejava nada além da realização de um desejo
alguns momentos com a imagem que projetou
mas não queria ser como as outras
não iria prostituir seus sonhos e sua carne
nem cederia à sua própria vontade de se entregar
e não cedeu.