quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Clarissa

Todos a vêem, encantadora, escorada no balcão do bar. Pagam sua bebida, pagam sua droga, oferecem-lhe o mundo. Ela não tem absolutamente nada de especial, nem é a mais bonita. Deve ser por causa dos seus tons suaves, ou das pernas de fora. Mas só enxergam uma fina casca protetora. Um punhado de maquiagem no rosto e um pouco de sobriedade já perdida. É difícil imaginar suas noites de solidão, quase sempre acompanhadas de um choro penoso. A verdade é que são tantas promessas que ela escuta, que nem faz questão alguma de prestar atenção. Vez ou outra cai na ilusão de encontrar um par, mas logo percebe a falta de futuro. E quem olha a certa distância vê tantos cortejos e felicidade, mas ninguém olha por dentro. Não imaginam que exatamente ali existe uma alma inquieta e um coração insatisfeito. Preferia chamar atenção apenas de um único que se importasse de verdade, do que de tantos outros corpos vazios. Igual a qualquer outro que sempre parte de sua vida após tirar as roupas e vestir-se novamente.


Sua vida é sua cama
Deita, rola, usa
Beija, promete, encanta
Cheira, bate
Te ama
Mentira, menina!
Engana.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Eu não entendo vocês que reclamam tanto do calor. Quando você faz amor, sempre pede mais fogo. Quem se entrega queima. Dois corpos juntos, ardendo num só ritmo. Por que motivos vou querer meu corpo contraído e gelado se posso exalar intensidade por aí? Frigidez não me agrada, minha temperatura corporal é alta por natureza, preciso de paixão. Às vezes sento num banco qualquer, sob o Sol, atraindo olhares inquietos. Gosto de sentir o sangue esquentar. E faz um cheiro bom de pele aquecida, abraçada pela luz. Tem gosto de felicidade, misturada com abraço de mãe. A respiração flui levemente, as gotinhas de suor surgem para lavar os poros. Não gosto de me esconder por baixo de agasalhos, tenho pena dos esquimós. Quero sempre ter o prazer de tomar uma cerveja gelada na praça, num domingo de Sol. Sentir o calor do abraço dos amigos, o calor dos lábios do ser amado. Quero sempre em mim a chama acesa do mundo.