terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu não me despeço de ninguém. No máximo dou um tchauzinho, daqueles de quem vai voltar. De quem vai se reencontrar no outro dia, de quem não sabe o que é ficar longe. E depois de tempos sem se ver, cumprimento com um abraço leve, como se tivesse lhe visto pela manhã. Odeio despedidas, odeio encontros dramáticos. Eu nunca estive longe, sempre tenho as pessoas junto a mim, guardadas na minha alma.

domingo, 24 de julho de 2011

E haverá de viver todas as bebidas outra vez. Beber das feridas que ainda sangram. Tentar não entender os motivos de tanta transgressão. Enlouquecer para não enxergar. Já que nasceu predestinado ao hedonismo, derrama-se o líquido, aquece-lhe a alma, entrega-se ao pó. Procura orgasmos em meios assexuais, porque nunca obteve êxito na forma convencional. Procrastina deveres e futuro, afunda-se no mais profundo ócio improdutivo. Faz tanta chuva dentro de si, preenche quase todo o vazio, e esvazia-se por olhos. As palavras são ásperas e pesadas, a impressão que se tem é de calmaria. Ninguém precisa saber entender, ninguém se importa. Porta, fechada.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

E mais uma vez a carência transborda, derramando por narinas, ouvidos e boca. Pequenos prazeres consolam, pequenas migalhas iludem. Uma música maravilhosa termina ali, no mesmo quarto de motel onde esqueceram as esperanças. Uma noite especialmente feliz que só traz amargura. A dor de saber que esta noite não será vivida outras vezes. Não da forma desejada. Sofrer por sonhar com quem dorme e não sonha. Viver cada afago com a consciência da realidade. Apegar-se em questão de segundos, e morrer por alguns dias. Intensificar demais todas as relações no intuito de extrair o máximo do outro. Culpar-se pelo desespero aparente e o excesso de afeto. Ah, sempre o afeto. É a chanson do não-amor, do quase-romance. Daquilo que foi lindo, curto e não deu certo.

sábado, 2 de julho de 2011

Todo sentimento de amor e encantamento é transitório. E não há quem me convença do contrário. Não acredito em eternidade, amor infinito nem em "felizes para sempre". Parece-me inaceitável que num mundo roda-gigante como esses só se ame uma única vez. Qualquer relacionamento é amor à sua própria forma. É intensidade, sentimento e oportunidade peculiar de cada situação. Algo sem importância pode transformar-se numa explosão, assim como um incêndio pode terminar em cinzas. É imprevisibilidade, angústia, insônia, tremores, calores. É saber aproveitar milésimos de segundos preciosos no tempo. É doar-se integralmente, sonhar, presenciar, telepresenciar, telefonar. Saber que vai cair, machucar-se, morrer e mesmo assim continuar amando. É saber do pó que lhe destrói e continuar cheirando o que lhe corta a alma. Ser meio triste e meio alegre, ser efêmero, mas ainda assim, inteiro.