Eu acho que cada pessoa deveria ter o direito de conhecer sua outra metade. Quem criou o mundo deveria ter feito cada um com o seu respectivo amor, bem lindo aos olhos do outro. E claro, essas pessoas se encontrariam, num determinado momento em que mais precisassem disso. Triste é querer tão pouco e não ter nada. Um pouco de cuidado, um pouco de abrigo, um pouco de paixão. Mas nem isso. Que bonito seria um mundo onde todos conhecessem a plenitude do amor, e ao final de todas as desilusões, aquela pessoa com quem você sempre sonhou surgisse numa esquina, num canto qualquer. Penoso é ter que sonhar todos os dias com quem você não conhece, com quem você não sabe se vai conhecer. Criar seu rosto, imaginar gestos e gostos. Chorar sua ausência e cultivar a esperança de um dia sentir seu afago.
terça-feira, 24 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Como é difícil dizer um adeus. E ainda mais difícil é não dizê-lo. Eu não consigo viver com coisas inacabadas, com a falta de direção. Odeio pessoas subjetivas demais, que não tomam partido de nada, que gostam de deixar tudo subentendido. Não existe coisa pior que uma relação mal acabada. Você se dói duas vezes, por achar que não deu certo e por não ter certeza do que realmente foi acabado. E resta aquela minguada esperança de um dia restabelecer os laços que existiam. Porque o lado ingênuo da nossa cabeça sempre diz que pode dar certo, e você, como todo idiota e bom apaixonado, acredita nas mentiras que cria.
E quando as pessoas se afastam naturalmente? Claro que não foi naturalmente, se houve afastamento é porque pelo menos uma das partes quis. Então, não se sabe realmente o que aconteceu, ou se ainda somos os mesmos. Aliás, quem éramos mesmo? Se alguém tivesse expressado um adeus, não existiriam incertezas. Mas nem sequer foi balbuciado um “até logo”, ou nada que retirasse as reticências. É por isso que costumo desenhar um fim antes mesmo de começar a sofrer a dúvida, até mesmo onde não deveria haver fim. Nem preciso dizer que na maioria das vezes é de forma antecipada e totalmente inapropriada.
As piores dores são as que brotam do obscuro, não se pode lutar contra uma armadilha atrás da fumaça. Como lidar com uma situação que não tem nome, que você mesmo não sabe qual é? Dê fim às coisas em vez de deixar a maré levar. Triste é conviver com o falso compromisso e a falsa liberdade, nunca quebrar a corrente. Porque, na verdade, tudo que é sem término vira caos.
Sempre fui daquelas que ama a liberdade. Daquelas que sempre quer mais, demais, sem fim. Nunca cultivei falsos pudores, não me lembro de definir padrões, nem na infância. Muito pelo contrário, eu adorava ser do avesso, contraditória, fora do sentido. Achava até bonito quando me chamavam de louca, sempre achei que os loucos são mais felizes. No começo era auto-afirmação, depois se tornou simplesmente ser eu, buscar minha identidade.
Lembro-me das primeiras histórias escritas, de quando fazia planos utópicos para o futuro. Mas ao longo dos anos fui me transformando em mais um brinquedo capitalista, mais um robô do modismo e de toda essa máquina de manipulação. E o mais triste é que tenho plena consciência de minha situação, aliás, minha sorte é essa. Pronto, sou uma alienada consciente, entendeu? É que depois de tantas frustrações a gente acaba endurecendo os sonhos, perdendo toda a esperança. E apesar de todo esse apodrecimento da alma, algumas tantas vezes eu consigo resgatá-la, há certos dias em que eu consigo viver nesse meu sonho perdido. Aos poucos estou conseguindo balancear os dois mundos, conviver com os dois lados e às vezes misturá-los.
Tenho uma mente extremamente preguiçosa, não sou histérica nem hiperativa. Minha inteligência emocional é do tamanho de um grão de areia, não sei lidar com sensações e confundo sentimentos. De verdade, eu oscilo das lágrimas às gargalhadas em poucos segundos. Guardo opiniões e raivas por medo de ser inconveniente. Eu me dedico ao amor de uma forma jamais vista, e esse é o problema. Dedicação demais sobra, e no fundo ninguém quer estar seguro demais sobre os sentimentos alheios.
Analisando friamente, sou miseravelmente hipócrita, adepta do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Ainda não vi mal nenhum por aqui, eu não quero que as pessoas que eu amo façam as mesmas coisas que eu faço, é só isso. Não desejo vícios e infelicidades para ninguém. Minha falsa serenidade me mantém forte, fico quieta e apenas observo. Minha contradição me salva das perguntas difíceis, minha responsabilidade salva quem depende de mim. Encaixo-me bem em diversos papéis, sou muitas, e sou sempre a mesma.
Vivo de intensidade, nada me irrita mais do que sobreviver de migalhas. Não me dê nenhum meio-amor, porque eu desisto fácil. Não me venha com indiretas ou situações indefinidas, sou objetiva demais para isso. Busco os pequenos prazeres em tudo, até mesmo nos lugares errados. Busco o amor em tudo, até mesmo - quase sempre – nas pessoas erradas. Sigo minha restrita cartilha e meu pouco conhecimento, alimentando as promessas de futuro. Vou assim, sentindo mais do que compreendendo.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Ah, menina, deixe de ser tola. A cidade é sua, a vida é curta, a noite é hoje. Sinta, liberte-se, seja o que você quiser. Fique invisível aos olhos dos inquisidores. Apenas dance, respire, deslize suavemente pela mesa de vidro. Abrace seus erros, medos e desejos. Agarre-o com força, com vontade e urgência. Diga o quanto vale, deitem nus sobre os lençóis sujos. Amanheça com o cheiro da fumaça, queime todos, pegue um táxi de volta e vá arrumar a casa.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Eu gosto mesmo é de simplicidade nas palavras e intensidade nas emoções. Pouco me importa a conjugação dos verbos, o uso da crase e as pontuações. Misturo os pronomes e os tempos verbais, enrolo num tubo de linha e vou costurando. Ensaio frases, depois esqueço. Penso em amores, depois os ignoro. Eu aposto a minha vida num tabuleiro de damas, ou num desses jogos de azar. Descumpro as regras, trapaceio, jogo sujo. Por fim, me perco numa mesa procurando o meu ás.
sábado, 7 de maio de 2011
Estou com uma puta vontade de escrever alguma coisa bonita, interessante, que faça você me achar uma pessoa legal. Eu queria falar de amor, música ou qualquer outro clichê que funcione. Ah… Mas agora não, o cansaço é maior, e nada que eu escreva vai adiantar, melhor voltar para a cozinha porque a água está fervendo - é hora do meu chá.
Não é que me falte personalidade, mas ultimamente eu tenho variado meus perfis. Talvez eu ainda não tenha econtrado meu lugar, talvez eu não me sinta à vontade em lugar nenhum ou me sinta em todos os lugares. Sou múltipla, adaptável, camaleoa. Não sei se gosto disso, não sei se passo boa impressão, aliás, nem sei se quero passar impressão alguma. E independente da casca, a alma é a mesma.
Todos os remédios quer provar, todas as doses de uma vez, milhares de estrelas pra contar. Uma noite apenas não é o bastante, é uma vida de busca, a procura do sentir. Sentir sem doer. É uma vida de fuga. Fugir de não se sabe o quê. É prazer e sentimento, ou a falta dele. Não há espaço para o coração, não há tempo para nenhuma emoção. A vanglorização do efêmero, o desprezo pelo duradouro, a banalização do amor. E só resta se dopar, se iludir e mentir. Aproveitar uma vida no presente, até quando a falta de futuro incomodar.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Solidão demais cansa. Agora eu quero cores, calores e amores. Quero beijo, cobertor e brigadeiro. Um coração pra chamar de meu, uma história pra ser vivida. Um jardim repleto de flores recém-nascidas, uma panela sobre o fogão exalando cheiros de afeto. Quero abraços infinitos, lágrimas de vez em quando e mãos para enxugá-las. Sem perder tempo com os que só trazem dor. Quanto mais bonito e leve, mais maduro. Desejo de vida mais livre e com mais amor.
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