terça-feira, 31 de janeiro de 2012
querido estranho
Sei que me fita de longe
Já não suporto seus olhares contínuos e prolongados
Viro o rosto para o lado e só vejo suas pupilas dilatadas
Hoje, acendi um cigarro e você me seguiu até o último trago
Só lhe peço um favor
Seja discreto e não me deixe acanhada
Até amanhã, obrigada!
Já não suporto seus olhares contínuos e prolongados
Viro o rosto para o lado e só vejo suas pupilas dilatadas
Hoje, acendi um cigarro e você me seguiu até o último trago
Só lhe peço um favor
Seja discreto e não me deixe acanhada
Até amanhã, obrigada!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
gerúndio
Enquanto nada dá certo, aguardo o futuro brilhante que profetizaram
E de tantas desilusões, espero amor
Dos fracassos, a promessa de vitória
A sensação de que o momento não chega, afasta-se
Força demais repele
Atitudes pesadas, não pensadas, assustam
Não sei como acabar essa escrita por aqui
Não sei como terminar o que não teve ponto final
Deixa assim, sem fim
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
lágrimas de noites sem amor
A saudade do clichê que persegue a humanidade
É deserto que reina sem luz
O silêncio de sentidos e ventos incontroláveis
Um vazio no espaço, um pedaço de mundo sem cor
Não tem assunto na roda de amigos
Não tem pedidos para Iemanjá
Não tem programação para o feriado ou dia de chuva
Carvão esperando pegar fogo
Fogo esperando ser apagado
A dolorosa espera pelo incerto – invisível
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
jurou que jamais amaria príncipes ou bobos da corte
passou a amar donzelas
e jurou novamente não amá-las
não conseguia amar pedras, sapos e garrafas
voltou a amar cavaleiros e princesas
vários príncipes, donzelas e bobos da corte
plebeus, escravos e reis
desistiu de amar todos e não amar ninguém
apaixonou-se pelo espelho
ela o queria, sim
e num instante que lhe faltou sobriedade confessou
mas não queria passos ensaiados
mas não queria passos ensaiados
não queria futuro nisso, claro
nem desejava nada além da realização de um desejo
alguns momentos com a imagem que projetou
mas não queria ser como as outras
não iria prostituir seus sonhos e sua carne
nem cederia à sua própria vontade de se entregar
e não cedeu.
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