Como é difícil dizer um adeus. E ainda mais difícil é não dizê-lo. Eu não consigo viver com coisas inacabadas, com a falta de direção. Odeio pessoas subjetivas demais, que não tomam partido de nada, que gostam de deixar tudo subentendido. Não existe coisa pior que uma relação mal acabada. Você se dói duas vezes, por achar que não deu certo e por não ter certeza do que realmente foi acabado. E resta aquela minguada esperança de um dia restabelecer os laços que existiam. Porque o lado ingênuo da nossa cabeça sempre diz que pode dar certo, e você, como todo idiota e bom apaixonado, acredita nas mentiras que cria.
E quando as pessoas se afastam naturalmente? Claro que não foi naturalmente, se houve afastamento é porque pelo menos uma das partes quis. Então, não se sabe realmente o que aconteceu, ou se ainda somos os mesmos. Aliás, quem éramos mesmo? Se alguém tivesse expressado um adeus, não existiriam incertezas. Mas nem sequer foi balbuciado um “até logo”, ou nada que retirasse as reticências. É por isso que costumo desenhar um fim antes mesmo de começar a sofrer a dúvida, até mesmo onde não deveria haver fim. Nem preciso dizer que na maioria das vezes é de forma antecipada e totalmente inapropriada.
As piores dores são as que brotam do obscuro, não se pode lutar contra uma armadilha atrás da fumaça. Como lidar com uma situação que não tem nome, que você mesmo não sabe qual é? Dê fim às coisas em vez de deixar a maré levar. Triste é conviver com o falso compromisso e a falsa liberdade, nunca quebrar a corrente. Porque, na verdade, tudo que é sem término vira caos.
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