Tenho em mim uma sede de amor insaciável. Carência sobra, vem de mansinho e faz daqui moradia. Em determinadas épocas tenho explosões de desespero e insensatez. Olhos transformam-se em lunetas procurando uma estrela para acompanhar. Estrela para nunca alcançar. Dormir é tormento, ficar acordado também. São tempos infelizes, numa busca incessante por um porto seguro para atracar. Nem preciso relembrar quantas situações gêmeas já foram vividas. Mas nunca tive a habilidade de aprender com erros passados. E creio que nunca a terei. Frutos de uma insatisfação eterna, incurável, insuportável. Desejando sem limites e fazendo muito pouco para ter. Aguardando do destino um prêmio por tanto sofrimento, nem sempre justificável. Quem sabe de si é que sabe de suas dores. Da vida que lhe assedia constantemente, depois oferece um abraço embaixo do cobertor. Dos segredos tão indignos e do coração ermo. O soçobro sentimental e o esfacelamento gradativo da alma. Cada ser detentor da infeliz humanidade possui suas próprias libações e sacrifícios. E só me resta aceitar minha própria constante, essa necessidade afetiva patológica.
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