é com cólera e sangue latejando que escrevo
escrevo para não jogar o vaso de cristal na parede
para não enfiar um garfo na face de alguém
para não derramar óleo quente nos olhos alheios
para não queimar minha própria mão com o isqueiro
é com raiva e fogo que praguejo
enquanto os dedos apertam com força de leão as teclas
teclas que um dia foram papel e caneta
papel e caneta deixados de lado
nesse mundo moderno, esse inferno
cheio de diabos e magnetismos
estrelismos, cabos, telas, bits
gigabites, controles, remoto
passado remoto
fora de controle
cuspo a ira nessas palavras
a visão um tanto embaçada
e neblina tomando conta do ar
porque perdi o horário
da droga que me fizeram gostar
minha paz no lixo por causa de um programa de televisão
Lindo
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