E mais uma vez a carência transborda, derramando por narinas, ouvidos e boca. Pequenos prazeres consolam, pequenas migalhas iludem. Uma música maravilhosa termina ali, no mesmo quarto de motel onde esqueceram as esperanças. Uma noite especialmente feliz que só traz amargura. A dor de saber que esta noite não será vivida outras vezes. Não da forma desejada. Sofrer por sonhar com quem dorme e não sonha. Viver cada afago com a consciência da realidade. Apegar-se em questão de segundos, e morrer por alguns dias. Intensificar demais todas as relações no intuito de extrair o máximo do outro. Culpar-se pelo desespero aparente e o excesso de afeto. Ah, sempre o afeto. É a chanson do não-amor, do quase-romance. Daquilo que foi lindo, curto e não deu certo.
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