E haverá de viver todas as bebidas outra vez. Beber das feridas que ainda sangram. Tentar não entender os motivos de tanta transgressão. Enlouquecer para não enxergar. Já que nasceu predestinado ao hedonismo, derrama-se o líquido, aquece-lhe a alma, entrega-se ao pó. Procura orgasmos em meios assexuais, porque nunca obteve êxito na forma convencional. Procrastina deveres e futuro, afunda-se no mais profundo ócio improdutivo. Faz tanta chuva dentro de si, preenche quase todo o vazio, e esvazia-se por olhos. As palavras são ásperas e pesadas, a impressão que se tem é de calmaria. Ninguém precisa saber entender, ninguém se importa. Porta, fechada.
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