Todos a vêem, encantadora, escorada no balcão do bar. Pagam sua bebida, pagam sua droga, oferecem-lhe o mundo. Ela não tem absolutamente nada de especial, nem é a mais bonita. Deve ser por causa dos seus tons suaves, ou das pernas de fora. Mas só enxergam uma fina casca protetora. Um punhado de maquiagem no rosto e um pouco de sobriedade já perdida. É difícil imaginar suas noites de solidão, quase sempre acompanhadas de um choro penoso. A verdade é que são tantas promessas que ela escuta, que nem faz questão alguma de prestar atenção. Vez ou outra cai na ilusão de encontrar um par, mas logo percebe a falta de futuro. E quem olha a certa distância vê tantos cortejos e felicidade, mas ninguém olha por dentro. Não imaginam que exatamente ali existe uma alma inquieta e um coração insatisfeito. Preferia chamar atenção apenas de um único que se importasse de verdade, do que de tantos outros corpos vazios. Igual a qualquer outro que sempre parte de sua vida após tirar as roupas e vestir-se novamente.
Sua vida é sua cama
Deita, rola, usa
Deita, rola, usa
Beija, promete, encanta
Cheira, bate
Te ama
Te ama
Mentira, menina!
Engana.
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