terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tenho essa mania platônica de me apaixonar por desconhecidos. Encantar-me pela imagem que eu mesma inventei de alguém. É tão gostoso passar horas desenhando seus gostos, personalidade e gestos. É o homem de barba bonita que entra no ônibus, a cantora de óculos escuros, o garoto de fones nos ouvidos. O músico que fica de olhos fechados durante quase toda a apresentação, a menina de blusa florida, o cara de botas. O poeta, o ator, o senhor de paletó. A voz no telefone, o homem de farda, a garota do cabelo de fada. Alguns, vejo ocasionalmente, outros nunca mais. Compartilho apenas meia dúzia de palavras, ou olhares. Isso tudo é um tanto solitário, confesso. Mas preenche esse meu tempo - coração - tão vazio.

2 comentários:

  1. não conhecer melhor essas pessoas é o que torna essa sua (nossa) mania uma coisa saudável.
    conhecer gente dá sempre muito trabalho e decepcionar-se com a ideia que fazíamos antes de conhecer-las é sempre muito fácil.
    se o coração tá sendo preenchido, mesmo que de de um jeito meio torto, acho que as coisas estão boas pra você.
    beijo!
    que venham mais olhares e menos palavras!

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  2. então que venham mais olhares e menos palavras! :)

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